O INE publicou hoje dados oficiais detalhados relativos à inflação portuguesa desde 1977 até 2012. Facto que se saúda. O ficheiro com a inflação de 1977 a 2012 tem cerca de 4 MB e constitui-se como um marco histórico.
O INE tem tratado muito mal a sua obrigação de divulgação de séries temporais longas. Será o princípio de mais difusões? Esperemos que sim.
Chegou-nos por mão amiga a referência a uma base de dados recente, a Pordata, uma base de dados de acesso público da Fundação Francisco Manuel dos Santos, instituição que tem como Presidente do Conselho de Administração o investigador António Barreto. O projecto é coordenado por Maria João Valente Rosa e tal como indicado na folha de apresentação, a base de dados disponibiliza milhares de indicadores e estatísticas relativos ao Portugal Contemporâneo. A navegação é simples mas pode também atingir níveis de refinação elevados.
O IBGE divulgou hoje a série cronológica (aceder aqui em formato PDF) que faz a retrospetiva da população ocupada (empregada) e desocupada (desempregada) para o período entre 2003 e 2009. A área de enfoque desta informação estatística compreendeu as áreas metropolitanas de Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre.
O IBGE (ver resumo) identificou significativas quebras na população desocupada em todas as regiões ao longo do período de 7 anos: mais modestas na área do Rio de Janeiro (8%) mais expressivas em Belo Horizonte (24,2%).
Algumas frases chave destacadas pelo IBGE:
- Em sete anos, média anual da população desocupada caiu 28,2%
- Participação das mulheres na população ocupada teve crescimento contínuo
- Participação dos trabalhadores com 11 anos ou mais de estudo na força de trabalho sobe de 46,7% para 57,5%
- Em 2009, 66,8% dos trabalhadores contribuíam para a previdência, contra 61,2% em 2003
- Serviços prestados a empresas foi o agrupamento de atividade com maior crescimento: 30,6%
- Em sete anos, contingente médio anual da população desocupada reduziu-se em 28,2%
- Em 2009, a taxa de desocupação média anual ficou em 8,1%
- De 2003 a 2009, a média anual do rendimento real dos trabalhadores cresceu 14,3%
- Rendimento médio real das trabalhadoras representa pouco mais de 70% do dos homens
- Média anual dos rendimentos dos trabalhadores pretos ou pardos cresceu mais que a dos brancos
Ontem, o INE de Portugal divulgou as Estatísticas da Educação 1961 – 2008, abrangendo o último meio século de história e compreendendo dados relativos a alunos, escolas, professores, níveis de ensino, aproveitamento, entre muitos outros. O universo de análise resume-se ao ensino não universitário mas mesmo assim há pano para mangas em termos de análise. Portugal progrediu imenso neste período em vários indicadores ficando como nota crítica o facto de, muito provavelmente, não se ter conseguido progredir ao ritmo necessário para anular o atraso acumulado que se registava em meados do século XX face aos restantes países desenvolvidos.
Com um pouco de trabalho de pesquisa junto das páginas e relatórios do Banco de Cabo Verde conseguimos construir uma série cronológica relativa à evolução dos preços em Cabo Verde, medida pela variação média anual do Índice de Preços no Consumidor apurado pelo INE local.
Contrariamente ao que verificámos para Portugal, o ano 2009 não foi um ano de deflação; registou-se de facto uma significativa desaceleração dos preços, mas a taxa de inflação em Cabo Verde, em 2009, foi positiva: 1,0%.
Contudo, entre 1990 e 2009 haviam-se já registado dois anos de inflação negativa (2000 e 2004) não sendo este, portanto, um fenómeno novo neste inidicador económico no arquipélago Cabo Verdeano. Pela análise gráfica, alem de se confirmarem pelo menos 20 anos de inflação sempre abaixo dos dois dígitos, verifica-se que desde 1997 apenas por uma vez a inflação superou os 5%, predominando variações moderadas dos preços. Pode descarregar aqui os dados relativos à Inflação Cabo Verde – 1990 a 2009 (clique para descarregar no seu PC) que compilámos.
Ver adenda no final (1977 a 2012)
Na sequência do artigo “Séries longas sobre a economia portuguesa: segunda metade do século XX” aqui publicado recentemente, demo-nos ao trabalho de pegar nos dados relativos à inflação e prolongar a referida série construída pelo Banco de Portugal, juntando-lhe os anos mais recentes recolhidos no INE, o produtor oficial destes dados. E com isso obtivemos a evolução dos preços em Portugal, medida pelo variação média anual do índice de preço no consumidor, vulgo, taxa de inflação, para os últimos 32 anos.
Aguardávamos apenas a divulgação do número definitivo para 2009 hoje conhecido com a publicação dos dados de Dezembro de 2009 para completar a série.Pode agora descarregar aqui o ficheiro com a Taxa de Inflação para Portugal entre 1977 2009 com o respectivo gráfico a colorir esta peça.
Como se pode constatar, o último ano foi o único desde 1977 em que se verificou um momento de deflação, os preços desceram 0,8%. A perspectiva temporal permite-nos constatar que, após a turbulência pós-revolucionária que andou a cavalo com um choque petrolífero no início dos anos 80, a evolução dos preços tem vindo a registar uma menor volatilidade e uma tendência descendente.
Se já procurou séries cronológicas sobre informação relativa a Portugal talvez se tenha dado conta de que nem sempre é fácil obter informação para muitos anos sucessivos. Há periodicamente reformulações metodológicas, mudanças de base, aspectos que dificultam a simples junção de dois números relativos ao mesmo indicador e a anos sucessivos. Olhando para o cenário actual verifica-se facilmente que o trabalho ao nível da interpolação, retropolação, harmonização, no fundo de colagem de séries realizado pelos produtores da informação não tem sido suficiente. O cenário de existirem disponíveis, pré-preparadas, séries longas com informação (particularmente de índole económica e financeira) de acesso livre, é algo demasiado anglo-saxónico quando se chega a terras lusas.
Há alguns anos, numa tentativa meritória de colmatar, em parte, tal lacuna, o Banco de Portugal privilegiou o objectivo de conseguir construir séries temporais longas e, pegando em dados oriundos do INE, do Governo e do próprio Banco de Portugal, assumiu algumas hipóteses simplificadores devidamente informadas e produziu um conjunto muito razoável de séries cronológicas que compreendem o período entre a II Guerra Mundial e meados da década de 90 (siga esta ligação para aceder na íntegra a essa informação).
O Banco de Portugal considerou 5 vertentes temáticas: